[ SNAPCHAT x INSTAGRAM STORIES ]

A Snap, dona do Snapchat, espera arrecadar US$ 3 bilhões em março com o lançamento de suas ações para o público. Mas, na contramão de sua estreia na bolsa, a rede social tenta superar o baixo crescimento de usuários em 2016. Quer também não se abalar com o surgimento de serviços parecidos:
A função Stories do Instagram foi lançada em agosto de 2016
Vídeos, fotos e gifs que somem em 24 horas foram anunciados pelo WhatsApp na segunda (20)
Flash, app e rede social do Facebook com funções semelhantes ao Snapchat, saiu em novembro de 2016
A seu favor, a empresa tem público até que fiel, mesmo com a fuga de usuários importantes, como influenciadores e marcas.
Lançado em 2011, o aplicativo permitia só o envio de imagens apagadas após alguns segundos. Com essa peculiaridade, atingiu o primeiro milhão de usuários ativos diários em menos de dois anos. No final de 2016, com a gravação de vídeos curtos e construção de “histórias”, passou de 158 milhões, um belo pulo em relação aos 110 milhões de dezembro de 2015.
No entanto, algo no meio do caminho atingiu o ímpeto dos usuários pelo Snapchat. Em junho, eram 150 milhões de pessoas utilizando o app pelo menos uma vez ao dia. O que levou o crescimento de 40 milhões no primeiro semestre a se transformar em apenas 8 milhões nos meses seguintes?

É difícil explicar essa queda. Mas, em agosto de 2016, o Facebook lançou no Instagram a função Stories, muito parecida com o concorrente. Cinco meses depois, a nova ferramenta da rede social conhecida pela publicação de imagens já contava com 150 milhões de usuários ativos diários.
Cai cai, Snap… Cai cai, Snap?
O fato é que o Snapchat já apresentava problemas desde maio de 2016, antes do lançamento do rival. De acordo com o site de análise App Annie, o aplicativo apresentou quase um ano de crescimento dentro do ranking de mais baixados do Google Play no Brasil, com o ápice em abril.
Desde então, a Snap lida com quedas. O Instagram até passou por instabilidades, mas mantém na média como o 4º mais baixado desde maio de 2016.

Mas existe relação entre a diminuição no crescimento do Snapchat e o lançamento do Insta Stories? Uma reportagem do site especializado TechCrunch no final de janeiro afirmou com todas as letras:
“O Instagram Stories está roubando usuários do Snapchat”
Para justificar a afirmação, cita uma série de executivos de agências de monitoramento americanas afirmando que o engajamento do Snapchat não é mais o mesmo. Um deles fala que a média de visualizações únicas por publicação caiu em 40% desde agosto.
Fuga dos influenciadores digitais
No Brasil, a situação é parecida. A Digital Stars, agência de youtubers como Kéfera Buchmann e Christian Figueiredo, conta que grande parte de seus clientes mudou para o Stories. “A maioria dos nosso influenciadores usa o Stories. Dá mais engajamento que o Snapchat”, conta Cris Catupiry, chefe de planejamento da agência.
Youtuber brasileiro com maior número de assinatntes, 17 milhões e contando, Whindersson Nunes foi do Snapchat ao Insta. “Está tudo na mão. Você posta uma foto e já faz um vídeo, sem ter que ficar trocando de app”, explica o humorista ao G1.

Segundo Thiago Contri, diretor executivo da agência de monitoramento de redes sociais Digital Figures, muitos usuários vêm seguindo o caminho de Whindersson. Contri diz que acompanhou uma ação promovida por uma marca de tênis no Stories: em 24 horas, conseguiu engajamento 12 vezes maior do que a de sua história mais popular no Snapchat em meses.
Para ele, as empresas dão preferência aos Instagram por ter um alcance maior. E ele ainda tem ferramentas que permitem medir o retorno de investimento. “Devido ao número de usuários ativos e à solidez do Facebook, o Snapchat terá dias difíceis pela frente”, analisa.
A ameaça (ao) fantasma
A ameaça não é ignorada pela Snap, é claro. Procurada pelo G1, a empresa se recusou a comentar a rivalidade. Mas, no documento em que deu entrada ao pedido de venda de ações ao público, cita seus concorrentes: “Empresas maiores e mais estabelecidas, como Apple, Facebook (incluindo Instagram e Whatsapp), Google (incluindo YouTube), Twitter” e outras asiáticas.
“Enfrentamos uma competição significativa em quase todos os aspectos do nosso negócio, tanto domesticamente quanto internacionalmente”, afirma o texto. “O Instagram, uma subsidiária do Facebook, introduziu uma função ‘stories’ que imita bastante nossa ferramenta Stories e pode ser uma competição direta.” O documento reconhece o baixo crescimento no final de 2016, mas não cita como irá resolver esse problema.
Perguntado pelo G1 se há preocupações com a concorrência do Snapchat, o Instagram respondeu por meio de sua assessoria. “Quando o Instagram decidiu lançar o Stories, a comunidade de usuários já estava demandando por mais flexibilidade – um modo mais leve e descontraído de dividir momentos. O Stories permite que as pessoas compartilham o que quiserem, com a frequência que quiserem e com quem quiserem”, detalha a empresa.
Líder entre jovens americanos
Mesmo assim, uma pesquisa do site Statista aponta que o app se tornou a rede social mais popular entre os adolescentes americanos nos últimos quatro anos. No final de 2016, o Snapchat era a rede mais importante para 35% deles (no começo de 2015, ele era o preferido de 11%). O Instagram aparece em segundo, com 24%.
Outra pesquisa mostra que 67,5% dos americanos entre 18 e 24 anos têm o aplicativo em seus smartphones. Entre aqueles com mais de 35 anos, a taxa cai para 14%. Isso indica que o app tem muito potencial de crescimento se conseguir manter a lealdade de seus usuários.

No Brasil, a maior profissional nascida no Snap é a maranhense Thaynara OG (Oliveira Gomes, no RG), de 24 anos. Ela conta que não tem planos de deixar a rede que a tornou conhecida. Apesar de ter conta no Snapchat desde 2013, só foi abrir para desconhecidos em 2015. Desde então, atingiu mais de 1,5 milhão de usuários, com média de 400 mil visualizações por vídeo publicado.
“Às vezes até uso o Stories, mas prefiro o Snap porque é mais fácil. Tem filtros. Além disso, trava menos, é melhor para assistir. Para pessoas que fazem muitos vídeos em um dia como eu, com histórias longas, trava muito. E meus seguidores pedem para eu nunca trocar”, conta Thaynara ao G1.
Ela diz que não larga o Snapchat por ele “ser espontâneo, instantâneo”. “Sempre foi minha rede preferida. Esse negócio de sumir depois de publicar te deixa mais à vontade para brincar.”
E a Snap sabe que precisa manter seu público engajado. “Se não desenvolvermos novos produtos bem-sucedidos ou melhorarmos os já existentes, nossos negócios irão sofrer. Também investimos em novas linhas de negócios que podem falhar em atrair ou manter usuários ou gerar receita”, avisa a empresa aos investidores.
Pois é, se não conseguir manter os atuais e jovens usuários, o Snapchat pode enfrentar dias difíceis pela frente. O grande desafio é se manter relevante em um mundo cheio de competidores, para tentar manter vivo o aplicativo do fantasminha, e não se tornar tão efêmero quanto as publicações que têm apenas alguns segundos de existência.

Fonte: g1.globo.com

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