[ RECESSÃO E INFLAÇÃO ]

Os principais mecanismos para a redução da pobreza no Brasil, e em qualquer outro país, são mercados de trabalho saudáveis, com aumento das oportunidades e de salários. A atual crise econômica provocou uma profunda redução de empregos, aumentando, consequentemente, a pobreza a partir de 2015. Contanto que o país consiga se recuperar e gerar novas oportunidades de emprego, esse fenômeno, no entanto, será algo mais transitório do que permanente. Para fazer isso de uma forma sustentável, o Brasil precisará de um novo modelo de crescimento que seja menos dependente de commodities, do crédito para estimular o consumo e da expansão dos gastos públicos. O crescimento deverá ser baseado em iniciativas do setor privado, em investimentos e em uma melhora na qualificação da força de trabalho.

Uma opção relativamente barata seria aumentar os recursos do Bolsa Família. Nosso recente estudo argumenta que esse pode ser um instrumento para prevenir que mais brasileiros caiam para a pobreza enquanto acontecem as reformas estruturais e os propulsores do crescimento sejam restaurados. Nossa análise sugere que desigualdade social e pobreza continuarão em alta em 2017. Tanto nos cenários mais otimistas como nos mais pessimistas, a expectativa é que os índices de desigualdade e pobreza aumentem, principalmente nas áreas urbanas e menos nas áreas rurais – onde esses índices já são altos. Apesar de não impactar tanto sobre o índice geral de pobreza, a distribuição do orçamento adicional do Bolsa Família para os “novos pobres” pode prevenir que o nível de pobreza extrema cresça. É importante ter em mente que estimativas anteriores do orçamento adicional necessário ao Bolsa Família são baseadas no atual nível de benefícios reais do programa e nas regras de elegibilidade e assumindo ajustes anuais no orçamento nominal ao mesmo nível da taxa de inflação anual para manter o poder de compra dos benefícios constante ao longo do tempo. O atraso no ajuste do valor nominal das transferências para o Bolsa Família ao nível da taxa de inflação pode levar a maiores índices de pobreza.

Fonte: Revista Veja

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