[ QUANDO UMA VELHA E SIMPLES TECNOLOGIA É INOVAÇÃO ]

Se um estudante de ciências da computação me perguntasse sobre onde focar sua pesquisa de mestrado ou criar uma startup, responderia sem hesitação: area da saúde. Minha resposta teria ainda uma provocação: Bom viajar pelo interior do Brasil e países do terceiro mundo, onde nossas tecnologias de saúde, em especial de diagnóstico, não podem ser utilizadas. Serão as aulas de campo, dados para referenciar a pesquisa e o projeto.

Inspiração

Manu Prakash é um biofísico que cresceu na Índia, professor da Universidade de Stanford. Ao visitar uma clínica em Uganda, notou que uma centrífuga, essencial para diagnósticos, estava sendo usada como “apoio de porta”. Além de custar caro, esta tecnologia dependia de eletricidade, algo que nos países de terceiro mundo é um luxo. Pensando nisso, Prakash inventou então uma centrífuga usando como modelo um antigo brinquedo de criança, feito de papel, corda e dois pequenos suportes. Esta “centrífuga rudimentar” pode girar em velocidades de até 125.000 rotações por minuto (rpm), não precisa de eletricidade e custa alguns centavos de dólar. Isso é mais do que suficiente para separar células do sangue e identificar parasitas da malária por exemplo. Detalhe: segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, a malária causa cerca de 225 milhões de doenças agudas e mais de 780.000 mortes, anualmente. Sem dúvida, “centrífuga rudimentar” será uma contribuição de alto valor para mihões de pessoas ao redor do planeta.

Transpiração

O que Prakash fez foi remover da centrífuga complexidade (sistemas eletrônicos e materiais sofisticados) e uma dependência técnica (eletricidade) voltando assim no tempo. De fato, quantas tecnologias temos no 1o mundo que foram desenvolvidas adicionando-se camadas digitais sobre antigas tecnologias do passado? E em assim fazendo tornaram-se caras, limitando o acesso para uma pequena parcela da população. Este tipo de pesquisa, de startup, de “produto”, não é um caminho fácil, exige muito trabalho. Não haverá capa de revistas, glamour, investidores… afinal, onde está o lucro? Mas quando o assunto são vidas humanas, sabemos que a recompensa vem de outra forma.

Fonte: Olhar Digital

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