[ COMO EVITAR A SÍNDROME DE CEO DE TRUMP ]

Após ler a matéria publicada no site da NBC News sobre a aversão do Presidente Trump às más noticias, comecei a refletir sobre os impactos deste tipo de comportamento em grandes lideranças.

A reportagem cita um artigo do Washington Post sobre como Trump reagiu à Marcha das Mulheres e às comparações negativas do tamanho da multidão no dia de sua posse em relação à do ex-presidente Obama:

“O presidente Trump acabara de retornar à Casa Branca, no sábado, após seu último evento de inauguração – um encontro de orações inter-religiosas tranqüilo – quando os sinais de raiva começaram a surgir. Trump ligou a televisão e se deparou com duas realidades chocantes – manifestações maciças em todo o mundo protestando seu primeiro dia como novo presidente e filmagens da multidão com grandes espaços vazios no National Mall durante a posse. Como o seu secretário de imprensa, Sean Spicer, ainda estava desempacotando caixas em seu novo escritório de West Wing, Trump ficou ainda mais enfurecido”.

O resultado foi uma convocação às pressas para uma coletiva de imprensa em que Spicer repetiu descaradamente dados falsos sobre o tamanho da audiência na posse de Trump e, por isso, foi severamente criticado pelos repórteres.

Nesse processo, ele imediatamente se colocou em uma saia justa com a mídia.

Embora esse seja um exemplo extremo que veio a público, sem dúvida mostra que comportamentos como o exibido pelo presidente Trump são mais comuns do que imaginamos. Eu vejo isso acontecer com grandes líderes também e chamo isso de “síndrome de CEO”.

É a propensão perigosa de alguns altos executivos de não terem capacidade de lidar com as más notícias e o impacto disso sobre todos aqueles que trabalham para eles – e eventualmente impacta até o bem-estar de suas organizações.

Em poucas palavras, os líderes que não conseguem lidar com más notícias acabam cercados por pessoas que os isolam ou que lhes dizem o que querem ouvir.

São situações de vulnerabilidade bem perigosas para as organizações e um tanto quanto óbvias. Se as más notícias forem negadas ou não aparecerem, as crises serão inevitáveis.

Questões que deveriam ter sido levantadas e tratadas acabam ficando submersas até o momento em que explodem.

Além dos perigos bem reconhecidos deste tipo de negação, os líderes que não conseguem lidar com a realidade fazem seus subordinados também se absterem da verdade.

Esses profissionais tornam-se totalmente dependentes do líder e ficam presos no jogo de defender uma “realidade” construída.

Esta outra matéria da Bloomberg capta muito bem o impacto que causa a postura de um líder avesso às más notícias no comportamento de sua equipe.

“Ao exigir que os subordinados neguem a realidade, um líder pode prejudicar sua posição, e, inclusive, sua imagem com o público, com a mídia e com os outros executivos. Esse tipo de postura torna esses funcionários mais dependentes de seu líder. Promover tais mentiras é uma tática clássica quando um líder desconfia de seus subordinados e espera continuar a desconfiar deles no futuro”.

Desta forma, as disfunções do executivo que está à frente “contaminam” a organização como um todo, muitas vezes gerando resultados desastrosos.

Em alguns casos esse comportamento é simplesmente “parte” da personalidade do líder, porém, nem mesmo o melhor dos líderes é verdadeiramente imune à “síndrome do CEO”.

A posição no topo da organização vem embalada com o poder de moldar a realidade, ou pelo menos moldar aquilo que esteja dentro das paredes da empresa.

O líder extraordinário é aquele que nunca cai na tentação de cercar-se, deixando de fora as más notícias, ou permitindo que os outros o isolem dessas informações. Ou mesmo, que diz aos seus funcionários o que eles querem ouvir para ganhar poder.

E o subordinado extraordinariamente corajoso (ou imprudente) é quem está realmente disposto e é capaz de “falar a verdade ao chefe”.

Especialmente em risco estão os executivos seniores, que estiveram no papel de liderança por um tempo significativo e, gradualmente, isolam-se da crítica, cercando-se de pessoas que os ajudam a criar uma proteção confortável.

Então, não deixe que isso aconteça com você!

Fonte: Revista Exame

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