[ COMO CRIAR UMA EMPRESA INOVADORA ]

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O executivo Ari Piovezani costumava organizar excursões de brasileiros para Bufallo, em Nova York, na década de 1970. Não que tivesse vocação para guia turístico. A cidade tampouco é das mais atraentes – gelada, vive coberta de neve: “Se você quiser mandar alguém para o inferno, mande para Bufallo” diz Piovezani. “É um lugar muito gelado.”

As viagens, mesmo assim, tinham uma boa motivação: em Buffalo, nasceu o publicitário Alex Osbnorn – o “O” da agência de publicidade BBDO. Osborn entrou para a história como o pai do brainstorm, um método em que diversas pessoas dão ideias – algumas boas, muitas ruins – em meio a uma discussão, para chegar à solução de um problema. Depois de se aposentar da publicidade, Osborn voltou para sua cidade natal e lá fundou um dos primeiro centros de estudos dedicados à inovação e criatividade em todo o mundo. Piovezani sempre foi fascinado pelo tema. Algo que, na época, era difícil de admitir: “A maioria das pessoas que me acompanhavam era de publicitários” diz Piovezani. “Eles eram os únicos que, naquela época, tinham autorização para ser criativos.” Um erro, diz Piovezani. Para ele, todo ser humano é naturalmente criativo. E as empresas deveriam aproveitar melhor esse potencial para inovar.

Piovezani é diretor executivo do braço latino-americano da Innocentive. Nascida a partir do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Procter & Gamble, a Innocentive é uma empresa de inovação aberta. Isso significa que outras companhias a procuram quando encontram um problema para o qual não têm solução. Seus clientes são variados: da Nasa à revista britânica The Economist. Parte de seu papel é enviar o desafio para sua rede de 13 milhões de “solucionadores” – especialistas de diferentes áreas ou simples curiosos, interessados em propor uma solução. Essa multidão de cérebros dificilmente deixa questões sem resposta: “Temos uma taxa de 70% de sucesso”, afirma Piovezani.

É para falar sobre o potencial criativo das multidões, e de como ele pode beneficiar as empresas, que Piovezani participa da Conferência Internacional de Crowdsourcing (CSS14). Em sua quarta edição, a conferência reúne, nesta quinta (4) e sexta-feira(5) profissionais de diferentes áreas – entre empresários, economistas e profissionais da comunicação – na sede da Fecomercio em São Paulo.

Piovezani dirige a Innocentive latino-americana há 3 anos. Define-se como um provocador de empresas. Manteve esse perfil ao entrar na Innocentive: trouxe para a empresa uma metodologia própria, cujo objetivo é incentivar as empresas que o contratam a procurar, primeiro, soluções entre seus talentos internos, antes de recorrer aos solucionadores espalhados pelo mundo. “Minha intenção é quebrar a porta da Pesquisa e Desenvolvimento”, diz ele, referindo-se ao departamento que, nas grandes companhias, usualmente se ocupa das inovações. “Todos têm algo a dizer: o porteiro, os engenheiros, os meus fornecedores.”

Segundo ele, incentivar a participação dos funcionários de diferentes áreas na resolução dos problemas da empresa é algo importante para criar ambientes realmente inovadores. “As pessoas são o principal elemento da inovação”, diz.  Digamos que a empresa precise descobrir uma forma de aumentar a resistência de seus produtos. Antes de repassar o problema aos solucionadores, Piovezani  e sua equipe organizam os funcionários da casa. A solução pode estar no conhecimento compartilhado dentro do prédio: pelos porteiros, engenheiros e fornecedores.

A crença de Piovezani na capacidade de resolução de “não-especialistas” vem da experiência da Innocentive: “As soluções que demos nos últimos anos se encontram naquilo que a gente chama de cauda longa”. “O gráfico mostra para a gente que a solução não está na especialidade. Não é um químico que vai solucionar um problema de química. É o cara que não tem nada a ver com química, que pegou aquele desafio, fica pensando sobre ele o dia inteiro, toma banho e no chuveiro tem um insight.” Porque, diz ele, todos somos naturalmente criativos. Basta o incentivo para inovar.

 

Fonte: Revista Época

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